Para quem sob a mira de lampião dançou até que o Sol raiasse, ou para qualquer pai que tenha andado de joelhos por um primogênito, o açoite do escritor pode ser como qualquer mira...
Sonhava que um dia as pessoas saberiam a medida do mal que causam ao mundo e uns aos outros, quem choraria essas lágrimas se algum dia partisse?
Mas corria assim mesmo, corria por medo, medo de envelhecer, medo da mediocridade ou qualquer lampejo de dor, medo da solidão, e por que não dizer medo da aceitação? Medo de fracassar, medo de ter sucesso, medo de tentar. Medo de si mesmo.
Odiava essa ausência constante, a ponto de amar a escrita apenas por saber que um dia você podia ser o leitor, mas agora tudo parece mediano demais, como se já não bastassem todas as incertezas da maturidade...
Anfetaminas seriam suficientes para encerrar essas vozes? E qualquer fotografia seria capaz de explicar, embora não justificasse tanta insegurança... quarto lilás e champanhe que abrigam mais segredos do que sonha essa vã filosofia de negar o tempo todo o consumismo que o planejou.
Serei capaz de dormir essa noite com todos os desafios morais que me aguardam ao raiar do dia?
Nem mesmo um cigarro mentolado afastaria esses sentimentos... o que nossas decisões fazem por nós se não nos deixam apenas mais loucos e solitários... que não é a herança genetica nessa amargura e sarcasmo? De onde nasce essa insistência em conviver com a verdade...
O essencial é invisível aos olhos mas qualquer ida ao supermercado faz isso desaparecer... o que tem importância pra você hoje? O que torna você você mesmo? E onde ficam todas as questões éticas quando tudo o que você quer é se satisfazer?
...
Vulture
2 dias atrás
2 You are Free!!!!!!!!!!!:
...entendo muito bem o que cê quer dizer, assim como o Bauman, um dos sociólogos mais importantes do cenário contemporâneo que, em seu último livro, fala-nos do medo que nos enregela em muros altos, que nos faz perder a confiança no próximo e encarar o espaço urbano como o cenário de uma guerrilha perpétua. Guerra de nós mesmos contra nós mesmos, e aí me lembro de outro desses pensadores, dessa vez Welsch, que diz que nos estetizamos porque perdemos os valores mais caros à condição humana, tais como a própria ética, pois que é muito mais "fácil" saber harmonizar um vinho a determinada massa a realmente questionar-se sobre o próprio ser e estar no mundo...
bju do alex......
Nossa Érica, talvez este texto seja um dos mais profundos que já li de você. E foi publicado no dia do meu aniversário! hehehe A tristeza é um bom tempero para a arte, mas eu espero que você esteja bem... :*
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